O protocolo ROSE.

Protocolo ROSE (Remote Operations Service Element)

O ROSE (Remote Operations Service Element) é um protocolo de camada de rede (camada 3 do modelo OSI) desenvolvido especificamente para redes de rádio amador em modo pacote (packet radio). Criado por Tom Moulton (W2VY) e pela organização RATS (Radio Amateur Telecommunications Society) no final dos anos 1980, ele foi projetado como uma adaptação simplificada do protocolo X.25 do ITU-T, com o objetivo de implementar comutação de pacotes (packet switching) sobre enlaces de rádio que já utilizam o AX.25 na camada 2. Enquanto o AX.25 cuida do enlace ponto a ponto entre duas estações, o ROSE provê o endereçamento e o roteamento fim a fim através de múltiplos nós intermediários, formando uma rede de longa distância sem necessidade de infraestrutura cabeada.

O endereçamento no ROSE é baseado em um esquema numérico de 10 dígitos inspirado no plano de numeração telefônico internacional E.164, onde os primeiros dígitos identificam o país e a região geográfica do nó, facilitando o roteamento hierárquico. Cada nó ROSE atua como um comutador de circuito virtual, estabelecendo chamadas (calls) entre origem e destino através de uma sequência de SVCs (Switched Virtual Circuits) — canais lógicos multiplexados sobre o mesmo canal de rádio físico. O protocolo mantém tabelas de roteamento estáticas ou semi-dinâmicas nos nós, e o encaminhamento dos pacotes é feito com base no número de destino, de forma análoga a uma central telefônica de dados. O controle de fluxo e a garantia de entrega são herdados do X.25, com janelas deslizantes e confirmações explícitas em cada salto da rede.

Do ponto de vista operacional, o ROSE se integra de forma transparente ao ambiente AX.25: a camada 2 continua sendo responsável pela comunicação confiável entre nós adjacentes, enquanto o ROSE gerencia o caminho completo da chamada de ponta a ponta. Isso permitiu que a arquitetura fosse implantada de maneira incremental, aproveitando o hardware TNCs (Terminal Node Controllers) já existente nas estações amadoras. Apesar de ter sido bastante utilizado na Europa e América do Norte durante os anos 1990 como espinha dorsal de redes regionais de packet radio, o ROSE perdeu espaço progressivamente com o advento da Internet e de soluções como o protocolo TCP/IP sobre rádio (especialmente via redes AMPR — AMateur Packet Radio), ficando hoje restrito a redes de legado e a entusiastas de rádio amador que mantêm a infraestrutura histórica em operação.